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Grafoscopia: entenda a ciência que verifica se uma assinatura foi falsificada

by Isabel Evangelista
grafoscopia

Em 2019, aproximadamente 9 milhões de pessoas no Brasil sofreram fraudes — e isso afeta tanto quem foi vítima quanto a instituição que sofreu o golpe. As maiores porcentagens são de fraudes de clonagem de cartão de crédito (41%) e uso indevido de dados pessoais para a contratação de empréstimos (12%). Como evitar esses riscos? Existem alguns meios de análise para que esses números caiam; um dos principais é a grafoscopia.

A grafoscopia é a ciência que estuda os grafismos, ou seja, a escrita como marca pessoal. Dessa forma, é possível fazer o reconhecimento de uma determinada grafia por meio da comparação detalhada da letra. Isso permite identificar se uma assinatura é autêntica ou falsificada, por exemplo, o que torna a grafoscopia uma importante aliada nas estratégias antifraude. Continue a leitura para saber mais.

Como é realizada uma análise grafotécnica?

Para realizar uma análise grafotécnica, é preciso fazer a análise e comparação da assinatura padrão x assinatura questionada. A assinatura padrão é aquela que consta em um documento de identidade autêntico ou em algum documento no qual o escritor reconheça sua assinatura. Já a assinatura questionada deriva de qualquer documento que o cidadão não reconheça ter assinado.

Alguns aspectos são levados em consideração no momento em que o laudo é realizado, como o suporte (mesa, prancheta, etc.) e o instrumento (caneta, lápis, caneta tinteiro) utilizados para a realização da assinatura e a diferença de idade entre cada uma. Observam-se também os elementos técnicos genéricos, ou seja, características da escrita que não mudam conforme o tempo ou condição da escrita.

Quais pontos são levados em consideração pela grafoscopia?

Chamamos o jeito e as características particulares da escrita de cada pessoa de grafismo. De acordo com o desenvolvimento da escrita, o grafismo evolui, podendo ser classificado em 4 etapas. São elas:

  • Canhestra: fase inicial da escrita (crianças e pessoas semi-analfabetas ou com pouca instrução);
  • Escolar: aqui, o escritor busca a perfeição e tem mais segurança e firmeza na escrita;
  • Emancipado: fase que apresenta mais velocidade e criatividade, com menor preocupação quanto à perfeição;
  • Senil: nessa etapa, o escritor apresenta regressão na escrita em decorrência da idade.

Todos nós passamos e estamos em alguma das fases da escrita. Quem está na fase escolar da escrita não vai conseguir imitar a de um emancipado — mesmo que inconscientemente, o “eu” sempre fala mais alto.

Essa, aliás, é uma das 4 leis do grafismo estabelecidas por Edmond Solange Pellat, considerado o pai da grafoscopia. Conheça-as a seguir.

Quais são as 4 leis do grafismo?

As 4 leis que regem a grafoscopia foram dispostas por Pellat em seu livro “Le Lois de L’Écriture” (“As leis da escrita”, em tradução livre), publicado em 1927. Confira:

1ª lei do grafismo

“O gesto gráfico está sob influência imediata do cérebro. Sua forma não é modificada pelo órgão escritor se este funciona normalmente e se encontra suficientemente adaptado à sua função.”

Um escritor destro consegue efetuar a escrita correta das letras com a mão esquerda, pois é o cérebro que comanda a ação enviada aos músculos. Sendo assim, as características individuais não são perdidas.

2ª lei do grafismo

“Quando se escreve, o ‘eu’ está em ação, mas o sentimento quase inconsciente de que o ‘eu’ age passa por alternativas contínuas de intensidade e de enfraquecimento. Ele está no seu máximo de intensidade onde existe um esforço a fazer, isto é, nos inícios, e no seu mínimo de intensidade onde o movimento escritural é secundado pelo impulso adquirido, isto é, nas extremidades.”

O ato de escrever se inicia por um comando, mas continua de forma espontânea — um instinto natural — sem que o escritor se dê conta de detalhes da escrita.

3ª lei do grafismo

“Não se pode modificar voluntariamente em um dado momento sua escrita natural, senão introduzindo em seu traçado a própria marca do esforço que foi feito para obter a modificação.”

Quando alguém tenta escrever se passando por terceiros, isso é perceptível, pois a pessoa fica mais atenta aos detalhes e movimentos que precisa executar. Ou seja, há perda de espontaneidade e, em algum momento, fica registrado algum detalhe que é exclusivamente da escrita dela.

4ª lei do grafismo

“O escritor que age em circunstâncias em que o ato de escrever é particularmente difícil traça instintivamente as formas de letras que lhe são mais costumeiras ou as formas de letras mais simples de um esquema fácil de ser construído.”

Quando o suporte e o instrumento da escrita não são adequados e causam algum tipo de incômodo, o escritor executa traços mais simples.

Levando em consideração as leis do grafismo, podemos estabelecer critérios para uma análise mais imparcial e clara. Esses são apenas alguns dos pontos considerados pela grafoscopia, pois a perícia grafotécnica é um processo extremamente detalhado e aprofundado.

A grafoscopia está atrelada à documentoscopia: ambas têm a função de mitigar fraudes relacionadas a contratos e empréstimos bancários, pois o número de fraudes por falsificação de assinaturas e de documento tem crescido consideravelmente.

Como mostramos, a ciência da grafoscopia pode ser uma forte aliada no combate e prevenção a fraudes. Para reforçar seus processos de validação de identidade e suas estratégias antifraude, conte com as soluções de Background Check, biometria facial e leitura de documentos da idwall. Quer saber mais? Entre em contato pelo formulário abaixo:

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