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Febraban Tech 2024: segurança é uma das prioridades das instituições para os próximos anos

Em sua 34ª edição, o Febraban Tech 2024 aconteceu entre os dias 25 e 27 de junho no Transamerica Expo, em São Paulo (SP). Com o tema central “A jornada responsável na nova Economia da IA”, esta edição trouxe para o centro da discussão a preocupação dos bancos de como toda a Economia e, principalmente, o setor financeiro, estão se preparando para utilizar de forma responsável novos recursos e avanços da inteligência artificial, assunto recorrente em diferentes segmentos.

No segundo dia do evento, no palco auditório Febraban Cinza, um dos assuntos mais debatidos foi a segurança que os bancos devem ter diante do cenário de fraudes e ameaças cibernéticas — principalmente na mesa-redonda “Antecipando ameaças: bancos sempre um passo à frente na segurança”, com a participação Adriano Volpini (Itaú Unibanco), Eva Pereira (WOMCY e IBMEC), Gabriel Borges (BTG Pactual), Lincoln Ando (idwall) e mediação de Ivo Mósca (Febraban).

De acordo com a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2024, os bancos brasileiros investem anualmente de forma significativa em cibersegurança e prevenção a fraudes — no caso, cerca de 10% do orçamento de tecnologia é destinado a estas demandas. A Segurança Cibernética é prioridade estratégica para 100% dos bancos entrevistados pela pesquisa, que foi feita em parceria com a Deloitte.

Para muito além dos firewalls avançados, abordagens proativas têm sido o grande diferencial. Por exemplo: entre ações que vêm garantindo a segurança e maturidade do setor bancário brasileiro estão a detecção de ameaças em tempo real, a oferta de múltiplos fatores de autenticação, o aprimoramento das soluções antifraude e as iniciativas de educação dos correntistas. 

Nesse cenário, além de novas tecnologias, verificação de identidade e autenticação, há outras ações para auxiliar as instituições no gerenciamento e mitigação de riscos. “A tecnologia, para ir além, ela precisa te ajudar, criar e executar um plano de gestão de identidade digital. Todas as empresas devem ter isso para reduzir silos de dados, já que é comum dentro das instituições a descentralização de informações — que acaba gerando problemas e atrito com o usuário. Ao reutilizar os dados de uma forma inteligente, dá para evitar fricção e fraudes, pois você sabe o comportamento daquela pessoa física”, explica Lincoln. 

Outro ponto levantado por Lincoln, é a questão de deepfakes, uma das principais ameaças de fraudes oriunda da IA. “A idwall barra 100% das fraudes a partir dos nossos algoritmos. Isso quer dizer que você deve depender apenas de biometria facial? Não, você deve ter um conjunto de soluções. Mas é interessante perceber que os fraudadores se baseiam muito em soluções comerciais e pouco científicas, e, assim, eles vão aos aplicativos mais fáceis e empresas que estão atentas e desenvolvendo tecnologias específicas para isso, conseguem correr e resolver esse problema de maneira mais fácil”, explica.

A Fraude no Brasil é realmente diferente do que em outros países?

Conforme o Visa Merchant Fraud Report 2023, o Brasil é um dos países com maior índice de risco para os usuários com relação a fraudes digitais, ficando em segundo lugar no ranking mundial — apenas atrás da China. Um dos pontos levantados por Ivo Mósca é se o cenário aqui é diferente do cenário estrangeiro e se há mais desafios aqui do que em outros países. 

“Eu respondo com uma palavra de três letras: Pix. O Pix traz uma dificuldade grande, devido a experiência que queremos fornecer aos nossos clientes. O ponto que foi falado de orquestração de dados é que, sendo dinâmica e automatizada, ela propicia uma boa experiência nesse âmbito de fraudes. Agora, falando em cenário mundial, eu acompanho alguns fóruns lá fora e vejo nosso cenário aqui muito mais desafiador no sentido da ameaça em relação a como o crime está voltado ao eletrônico, em que hoje você vê muito roubo de celular não por causa do aparelho, mas sim pelos dados inseridos ali em que é possível aplicar um golpe”, explica Gabriel Borges.

Eva Pereira também trouxe para a discussão a questão da cultura do brasileiro. “Nós somos um povo muito acalorado, muito dinâmico, e toda essa espontaneidade do povo brasileiro também está aliada a baixa qualidade de educação que as pessoas têm. Então, esses fatores de sermos emotivos, dinâmicos, baixa educação, impactam diretamente na conscientização e, consequentemente, em como é fácil fraudar por motivos emocionais.”

Lincoln também complementa que o Brasil é o 6º país no mundo com vazamento de dados, dentro de um universo que, provavelmente, quase todo cidadão teve suas informações pessoais vazadas ou na deep web — além de todas as particularidades do nosso país em um ambiente macro. 

Volpini também comentou do fato de fraudadores brasileiros ultrapassaram barreiras, já que um caso recente, citado por ele, foi de simular falsas centrais telefônicas que temos no Brasil para cometer fraudes em cima de bancos e cidadãos portugueses, em que usavam fluxos de dinheiros a partir de instituições financeiras que fazem transações cambiais. 

Leia também: Febraban Tech 2024 – Banco do futuro hoje: Reinventando a jornada do usuário com Inteligência Artificial

Fraudes acontecem mais a partir das 18h da sexta-feira, aponta estudo

Conforme análise do Fraud Report, feito pela idwall, em relação ao mercado geral, o setor Financeiro tem uma taxa de fraude mais elevada — cerca de 2,5x a mais que os demais segmentos —, o que evidencia quanto esse mercado é visado pelos golpistas.

Além disso, o estudo traz outros insights, como:

  • Taxa de fraude: apesar de uma queda geral de 40% na taxa de fraude entre 2023 e 2024, os dados mostram que as fraudes estão se tornando mais complexas.
  • Tipos de fraude: a falsificação ideológica e a identidade sintética continuam sendo os métodos mais utilizados, mas as fraudes de média complexidade aumentaram, representando 32,98% das tentativas no 1º trimestre de 2024.
  • Itens mais fraudados: foto e perfuração do documento são os elementos mais adulterados em fraudes de RG, presentes em cerca de 90% dos casos.

“Para contornar tudo isso, nós temos que fazer uma somatória de tecnologias e orquestra-las de maneira automatizada para que estejamos sempre atentos, já que o fraudador muda o comportamento e os tipos de fraudes vão sendo alterados. Mas se você tem tecnologias fortes e uma orquestração bem feita desses processos — o básico bem feito — você já está muito à frente”, explica Ando. 

Resolução Conjunta nº6: a virada de chave no compartilhamento de dados

Para coibir o aumento significativo de golpes e ações criminosas no sistema financeiro brasileiro, desde novembro de 2023 as instituições financeiras precisam trocar dados e informações sobre suspeitas de fraudes, atendendo à Resolução Conjunta 6/2023 do Bacen e do Conselho Monetário Nacional (CMN).

Ou seja: se um usuário tentar cometer fraudes de identidade sintética ou de falsificação biométrica, por exemplo, se passando pelo cliente real, em um banco ‘x’, esta instituição vai compartilhar tais dados e todo o ecossistema bancário e financeiro terá essas informações à sua disposição, ficando alerta e podendo tomar medidas para evitar cair nesses golpes.

“Sem compartilhamento de dados, daqueles que, de alguma coisa, cometem golpes e fraudes ou tentam contra o sistema financeiro, sem essa troca de informações efetiva, não existe prevenção. A Resolução 6 ela nasce de uma iniciativa que já existia na Febraban – de troca de dados entre nós, em saber quais foram as pessoas que cometem fraudes ou que recepcionam o dinheiro de golpe e fraude. O Bacen, em um ato muito correto e pioneiro, decidiu criar uma base de troca de informações e nasceu a Resolução 6”, traz à discussão Adriano Volpini. 

Segundo Lincoln, o maior desafio da Resolução 6 é a qualidade dos dados que estão na base. “Hoje a idwall é uma das nove casas que coletam dados de instituições financeiras e recebem essas informações. Somos bem estritos no tipo de dados, classificação, entre outras informações. Porque quando se fala de fraude de identidade, por exemplo, que muitas vezes está envolvida em uma conta laranja , você pode estar negativando a vítima, por exemplo. A partir do momento que você tem uma classificação correta daquele dado, você consegue tomar essas decisões”.

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