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Palestras do idsummit fomentam discussão sobre os desafios da identidade e da confiança na América Latina

by Mariana González
idsummit

Entre falar sobre a missão da empresa e sobre o que estamos fazendo e ainda vamos fazer para construir uma sociedade digital, os fundadores da idwall Raphael Melo e Lincoln Ando também destacaram durante o idsummit 2019 a importância do compartilhamento de conhecimento.

Por isso, a segunda edição do idsummit trouxe nomes de peso no mercado e assuntos que se mostram cada vez mais relevantes conforme a tecnologia evolui continuamente e nos permite alcançar novos patamares. Isso altera não apenas as formas com que empresas e clientes se relacionam, mas também a maneira com que enxergamos nossas identidades enquanto cidadãos e com que lidamos com a privacidade de dados.

Enquanto isso, os avanços da tecnologia também aumentam as possibilidades de fraude, cada vez mais sofisticadas. Nesse ínterim, a fraude de identidade ainda é um dos maiores desafios enfrentados pelas empresas — especialmente as que atuam no mercado financeiro. Para enfrentar a fraude, a tecnologia preventiva e de detecção também precisa ser fortalecida.

Para debater esses e outros aspectos que afetam a identidade e a confiança, o idsummit 2019 recebeu os palestrantes Guilherme Horn, Ex-Head de Inovação da Accenture e colunista do Estadão; Susan Pastega, Global Risk and Compliance Director da Ebanx; e o jornalista Bruno Sartori, criador das paródias de deepfake com figuras públicas que viralizaram durante o período eleitoral.

Além disso, o evento contou com dois painéis, um sobre privacidade e dados pessoais e outro sobre o case de identidade na China. O primeiro, mediado por Lídice Xavier (Head of Legal na idwall) teve a participação de Daniel Arbix (diretor jurídico do Google) e Vanessa Ribeiro (sócia de Gusmão & Labrunie). No segundo, o debate ficou por conta dos sócios da 798 Ventures Otavio Miranda e Erick Coser, com mediação de José Estan (Head of Business Development na idwall).

Continue a leitura para ficar por dentro dos pontos principais das palestras e painéis e saber mais sobre o que foi discutido no idsummit 2019.

A necessidade e os desafios da disrupção

Trabalhando com inovação e tecnologia desde a década de 90, Guilherme Horn atualmente atua como membro do Conselho do Banco do Brasil e esteve no idsummit para compartilhar suas experiências e visões sobre o cenário atual e o que vem por aí.

Na palestra de abertura, Raphael Melo destacou o quanto os brasileiros não confiam uns nos outros. Para Guilherme, isso “tem um impacto muito grande no ambiente de inovação”. Buscar a disrupção, portanto, é um desafio — e uma necessidade cada vez maior.

E o que seria essa disrupção? Para ele, é quando “novos entrantes mudam o modelo de negócio e, com isso, os incumbentes são obrigados a mudar o seu próprio modelo de negócio”. Nesse contexto, é fundamental que as empresas tradicionais aproximem-se do ecossistema das startups para, assim, conseguir alcançar a verdadeira disrupção.

Ele enxerga que as relações entre empresas e startups passam por quatro níveis: o de rejeição, em que a empresa descarta a startup por não considerar que ela faz sucesso ou que a ameaça de alguma forma; o de awareness, em que uma conexão começa a ser formada; o de aproximação, quando a empresa testa os produtos da startup e avança para a fase de reuniões; e o de colaboração, em que a empresa efetivamente passa a utilizar os produtos da startup.

Porém, os quatro estágios podem estar presentes na mesma organização — a liderança pode estar pronta para ir para a fase de colaboração, mas o middle management ainda estar receoso. Isso acontece porque, como explicou Guilherme, “a transformação digital não é sobre tecnologia, é sobre pessoas”. A mudança, portanto, também precisa ser cultural.

Nesse contexto, destaca-se a necessidade de centralizar as estratégias no cliente. Isso está diretamente conectado à questão da confiança, afirmou Guilherme, já que um atendimento de excelência, por exemplo, deve trabalhar sob a presunção da honestidade. Para o conselheiro, esse é hoje o principal desafio das corporações.

Lidando com dados pessoais na era da LGPD

O painel sobre a coleta, o uso e o armazenamento de dados e a adaptação desses processos para a Lei Geral de Proteção de Dados começou discutindo a proposta de adiar a entrada em vigência da lei de agosto de 2020 para 2022.

Para Vanessa Ribeiro, sócia do escritório de advocacia Gusmão & Labrunie, adiar a vigência apenas adia o processo de adaptação, que precisa ser cada vez mais acelerado daqui para a frente. “A lei é uma realidade e propõem desafios que, se não forem endereçados, farão sua empresa perder espaço”, opinou ela.

Daniel Arbix, diretor jurídico do Google, reforçou a importância de essa adaptação incluir a reformulação dos termos de compromisso e de uso, que reconhecidamente empregam uma linguagem extensa e jurídica que afastam os usuários da leitura. Com a LGPD, é importante “ter só o principal”, disse ele, para poder garantir que o indivíduo tem plena ciência ao que está consentindo.

A conversa, conduzida pela Head of Legal da idwall Lídice Xavier, também abordou que é preciso passar a solicitar somente os dados pessoais realmente necessários. Caso isso não aconteça, além de a empresa abrir espaço para problemas perante a LGPD, Vanessa ainda reforçou que tal atitude “apenas piora sua base de dados. Pensar no que realmente vai ser tratado é muito benéfico”, concluiu.

Isso leva à importância de criar uma experiência eficaz, ágil e transparente para colher esses dados dos clientes: o momento do onboarding. Além de proporcionar uma experiência ágil e dinâmica de cadastro, o onboarding também permite uma comunicação clara e transparente sobre quais dados serão coletados, por que e como serão tratados.

Também se insere nesse contexto o Privacy by Design, modelo de negócios em que os princípios de privacidade e proteção de dados devem ser implementados desde a concepção de um produto ou solução. A análise sobre quais dados dos clientes serão necessários, como serão feitos os relatórios sobre o uso das informações e demais medidas relacionadas devem ser discutidos “no momento zero”, afirmou Daniel.

Mesmo que a LGPD não torne o Privacy by Design obrigatório, opinou Vanessa, “trata-se de fortalecer relações interdisciplinares dentro da empresa para que o produto chegue ao mercado em conformidade — seja sobre quais dados são pedidos, seja em relação à criptografia da solução”.

Como a China trata a questão da identidade

No painel sobre os documentos de identidade da China e a forma com que o assunto é tratado no país, Otavio Miranda explicou que eles começaram a fazer testes com dados biométricos e com uma inclusão gradual de novos dados ao longo da vida ainda na década de 90. Anteriormente, o documento de identidade chinês era similar ao RG brasileiro dos anos 2000.

Para ele e para seu colega Erick Coser, isso demonstra o avanço da China quando se trata de identidade. Em 2000, o documento chinês tornou-se mais parecido com o atual, já trazendo dados considerados fundamentais como escolaridade e província de origem. Um dos principais aspectos é que há um único documento padronizado em todo o país — algo bem diferente do que acontece no Brasil, em que cada estado tem um modelo diferente de RG e um mesmo indivíduo consegue emitir cada uma deles.

Eles explicaram que a identidade na China é tratada de uma maneira holística. Como Erick contou, o cartão de identidade conta com chip e tecnologia NFC (contactless), e pode até ser usado para fazer check-in automatizado em um hotel, por exemplo.

Enquanto isso, o score de crédito e social, na visão deles, funciona muito mais como uma forma de trazer benefícios e facilidades do que limitações para o cidadão. Quem tem um score baixo pode ter menos vantagens no acesso a serviços, mas não é bloqueado, contou Otavio.

Contribui para isso também o fato de que os chineses confiam muito uns nos outros — enquanto o Brasil é o pior país da América Latina nesse quesito, como apontou a pesquisa mostrada por Raphael Melo em sua palestra de abertura, a porcentagem de chineses que afirma confiar nos outros é de 74%.

Como aprovar mais usuários e correr menos riscos

Entre todas essas discussões sobre privacidade e identidade, uma coisa é certa: a ainda imensa quantidade de fraudes ocorridas no Brasil — são R$ 213,2 bilhões perdidos anualmente com fraudes, e uma tentativa sofrida a cada 16,8 segundos — atrapalham consideravelmente tanto as estratégias de negócio quanto o relacionamento com o cliente.

Para avaliarmos esse cenário de forma eficiente, precisamos de dados. Esse foi o cerne da palestra de Susan Pastega, Global Risk and Compliance Director do Ebanx. Ela explicou que as instituições bancárias — que ainda são os principais alvos de fraudes — ainda perdem mais com fraudes bancárias do que investem em gerenciamento de risco.

Dados do KPMG Global Banking Fraud Survey de 2019 indicam que mais da metade dos
bancos recuperam menos de um quarto das perdas com fraude; mais da metade dos
bancos perceberam um aumento no valor da fraude; e ais de 60% dessas instituições perceberam um aumento em casos de fraude e na diversidade de tipologias.

O mesmo estudo identificou um aumento especialmente nas fraudes dos tipos golpe, cartão não presente, fraude online, roubo de identidade, fraude interna e roubo de dados.

Isso acontece porque as fraudes estão cada vez mais sofisticadas. O mesmo cenário pode ser percebido no e-commerce, que vem sofrendo uma quantidade menor — mas mais prejudicial — de ataques. “Massivos vazamentos de dados recentes proporcionaram um vasto repertório de dados pessoais disponíveis”, explicou Susan. “Os fraudadores estão trocando os ataques de força bruta por ataques mais sofisticados e personificados. Check-out rápido, modelos mais eficientes de logística e maneiras mais ágeis de autenticação vieram para facilitar a vida dos clientes e também dos fraudadores.”

Isso tudo faz com que os índices de fraude na América Latina continuam crescendo, mesmo enquanto o continente apresenta os piores índices de autorização do sistema financeiro. Ou seja, ainda que menos usuários sejam aprovados por causa do risco de fraude, as fraudes continuam acontecendo com muita frequência.

Percebe-se, portanto, que o momento do cadastro é um ponto fundamental para o combate a fraudes. É imprescindível entender quem é o seu cliente, seguir as devidas regras de KYY e implementar as normas do mercado para conseguir identificar se o seu cliente é um risco ou não. Dessa forma, é possível até mesmo moldar a quantidade de informações pedidas de acordo com o risco representado pelo usuário, sugeriu Susan.

O próximo passo da tecnologia — e das fraudes?

O último convidado do idsummit 2019 foi o jornalista Bruno Sartori, que apresentou uma palestra sobre deepfake, técnica de síntese de imagens ou sons baseada em técnicas de
inteligência artificial.

As deepfakes usam a tecnologia de machine learning — mais especificamente, redes adversárias generativas. Trata-se de um conjunto de duas redes neurais, uma chamada de geradora (que cria novas instâncias de dados) e outra chamada de discriminadora (que decide se cada instância de dados que analisa pertence ou não ao conjunto de dados
de treinamento original).

Em seguida, as respostas da checagem retornam para a rede neural geradora, que as utiliza machine learning para aprimorar-se e gerar resultados cada vez mais similares ao esperado. Assim, pode-se chegar a um conjunto de imagens idênticas às originais. Quanto maior o tempo de treinamento das redes, melhores serão os resultados obtidos.

A tecnologia deepfake tem grandes potenciais de implementação para fins de comunicação e de entretenimento, como Bruno demonstrou em sua palestra — além de vídeos como os realizados pelo jornalista, o recurso poderia ser usado, por exemplo, para colocar o usuário “dentro” de um videogame ou filme.

Porém, há aspectos mais perigosos nessa tecnologia, como o uso de deepfakes para criar fake news ou para aplicar golpes — Bruno citou o caso bandidos que roubaram quase US$ 250 milhões com um áudio deepfake imitando a voz de um CEO.

Para Bruno, é a informação que nos ajudará a identificar casos de usos de deepfake para fins de fraudes e falsificações: “Precisamos saber que isso é possivel e saber identificar o que é verdadeir ou não”, concluiu o jornalista. Dessa forma, a tecnologia pode continuar se desenvolvendo e sendo aplicada em possibilidades benéficas cada vez mais significativas.

Agora que você já acompanhou os melhores momentos do idsummit, que tal conhecer mais sobre nossas soluções e como podemos ajudar os processos de onboarding e validação de identidade da sua empresa? Entre em contato com nossos representantes comerciais pelo formulário abaixo:

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