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Inclusão financeira: como a inovação bancária traz cidadania financeira

by Gabriel Duque

Na Febraban Tech 2022, um dos temas presentes nos painéis do primeiro dia de evento, na última terça (9 de agosto), foi a inclusão financeira. Os palestrantes debateram a importância da digitalização e da inovação bancária para trazer mais cidadania financeira e promover a inclusão de pessoas desbancarizadas.

Quer saber mais sobre o assunto? Confira a seguir!

Como alcançar maior educação e inclusão financeira

Com o tema “Cidadania Financeira para um presente e futuro inclusivos”, Eduardo Amuri (educador financeiro), Marcelo Junqueira Angulo (Banco Central do Brasil) e Tatiana Thomé (Caixa) abriram os trabalhos sobre o tema.

Para Marcelo, chefe da Divisão de Educação Financeira do Banco Central do Brasil, o desafio no Brasil é fazer a educação financeira escalar e atingir as pessoas de níveis diferentes sociais, demográficos e de escolaridade. Ele ainda comentou de acordos de cooperação técnica com a própria Febraban para tentar desenvolver este cenário.

“É preciso assumir mais responsabilidade na promoção da educação financeira e fomentar a educação por meio do sistema financeiro nacional”, falou.

Atuação da Caixa

Tatiana Thomé, vice-presidente de governo da Caixa, por sua vez, exaltou a função do banco neste contexto: “A Caixa tem um grande papel, principalmente no atendimento ao público vulnerável. Por isso, temos um desafio maior que os outros. Temos um público grande e uma responsabilidade muito grande.”

Ela também lembrou a atuação da Caixa como agente pagador do auxílio emergencial, o que ajudou a enxergar uma parcela de população invisível, aqueles indivíduos que passaram a precisar e receber o suporte financeiro, mas que atuavam no mercado informal e tinham CPFs irregulares. 

“De repente descobrimos brasileiros que sequer tinham o CPF em ordem. Precisamos ir além, dar instruções de educação financeira, empreendedorismo, emancipação financeira”, acrescentou.

Contraste

Para o especialista em educação financeira, vivemos em uma época muito peculiar. “Temos uma preocupação muito grande com inovação e amparo tecnológico, mas alguns indicadores não avançam e muitos retrocedem, como vulnerabilidade alimentar e desigualdade social”, afirmou.

Na visão de Eduardo, a educação financeira não pode ser subjugada a outras agendas. “Eventualmente, vai ter que abrir mão de crescimento aqui e ali. Educação financeira demora para dar resultado, precisa ter vários órgãos atuando de maneira congruente. Não existe tamanho único na educação financeira, temos que fazer uma customização e uma adaptação para diferentes públicos.”

Auxílio emergencial

Ao retomar o assunto do auxílio emergencial, Tatiana trouxe alguns números impressionantes sobre o uso do aplicativo Caixa Tem para o pagamento do benefício:

  • 105 milhões de contas sociais digitais foram criadas usando o app;
  • 68 milhões de famílias recebem o auxílio emergencial;
  • Só 35% usam o Caixa Tem como conta digital;
  • 10 milhões de pessoas recebem o auxílio e sacam todo o recurso.

“Ainda temos um público que não utiliza os canais digitais. Não tem cidadania financeira.

Saúde financeira dos brasileiros

Outro ponto da inclusão financeira é o bem-estar financeiro do brasileiro. Afinal, a inclusão está diretamente ligada à educação e ao saber lidar com as finanças no dia a dia, sabendo fazer um orçamento e ter segurança sobre o futuro financeiro.

Marcelo, então, lembrou do Índice de Saúde Financeira, desenvolvido pelo BC em parceria com a Febraban. De acordo com a pesquisa, a média de bem-estar do brasileiro é de 57 pontos. Isso significa uma vida equilibrada, mas com pouca margem. Então, ele comentou como os bancos podem contribuir para melhorar esse cenário.

“As ações tradicionais de informação são importantes, porém tem que ir além. Podemos usar a tecnologia para entender o que o cliente precisa e ajudá-lo e usar a tecnologia para fazer a educação financeira chegar até ele”, ponderou.

Ele também trouxe dados sobre a evolução da cidadania e inclusão financeira. Segundo o relatório de cidadania financeira, publicado em 2021, 86% da população adulta tinha relacionamento com o sistema financeiro em 2018 e, em 2021, o número saltou para 96%.

Só nos primeiros meses do auxílio emergencial, mais de 10 milhões de CPFs passaram a ter relacionamento. E, além da inclusão financeira no sentido de acesso digital, o executivo apontou outra demanda: “Temos a população idosa que com o PIX e digitalização precisa de orientação de como usar o sistema e se prevenir de fraudes.”

Reserva emergencial

Mais um ponto da educação financeira é a questão de se planejar e montar uma reserva emergencial. Para o especialista, é preciso um tratamento de choque em relação a isso, já que muitas pessoas não fazem essa reserva. 

Além disso, ele comentou a importância de conscientizar os autônomos sobre esse ponto. “Não tem previsibilidade de renda. Fica suscetível à sazonalidade do mercado. É preciso entender a importância do fluxo de caixa.”

Open Finance

Para concluir o assunto nesta palestra, Marcelo e Eduardo falaram sobre o uso do Open Finance com essa finalidade. “O sistema pode facilitar muito o diagnóstico do cidadão. Com gerenciadores de finanças pessoais, é possível categorizar os seus gastos, mandar avisos de que chegou na metade do mês e a pessoa gastou mais do que pensava, orientando o consumidor”, explicou Marcelo.

Para Eduardo, hoje usamos os dados e informações para vender mais, porém é preciso repensar. “Você só gastou metade do seu limite, você tem mais dinheiro disponível. Vamos usar o caminho contrário para conscientizar”, ressaltou.

Como um banco digital pode promover a inclusão financeira

Outro painel importante sobre o tema de inclusão financeira foi “Como criar um banco digital para promover a inclusão bancária no Nordeste”, com Daniel Rocha (Banco Banese) e Lucas Brero (Technisys).

Daniel Rocha, Head de Transformação Digital do Grupo Banese, contou um pouco do cenário que o grupo via antes de lançar o Banco Desty, voltado para Sergipe. Veja alguns números:

  • 20 milhões de desbancarizados;
  • 49 milhões de sub-bancarizados (sacam todo o seu dinheiro);
  • 132 milhões sem acesso a crédito bancário;
  • 77% dos brasileiros quando conseguem uma renda extra pensam em comprar e não poupar;
  • Apenas 33% dos brasileiros costumam poupar habitualmente;
  • 49% dos brasileiros não gostam de falar de dinheiro para não se sentirem tristes.

“Por isso, criamos um banco digital nascido no Nordeste, no menor estado da federação, em Sergipe, com sede em Aracaju. Queremos acolher e facilitar a jornada de autonomia financeira das pessoas. Liberdade financeira é progresso, é autonomia”, comentou.

Daniel lembrou que este público tem 4 contas, mas não tem acesso pleno aos serviços financeiros que os bancos poderiam ofertar. “Queremos trazer o possível para perto, trazer acesso a crédito para o trabalhador informal, trazer simplicidade na experiência do usuário. Buscamos fornecer uma relação digital humana, pois o banco nasce sem agências, é conectado, e possui atendimento humano.”

Mas como gerar confiança para uma população que usa dinheiro em espécie e desconfia do dinheiro digital? “É preciso educação financeira, embutir educação financeira na experiência e na jornada do cliente, explicando a contratação de um seguro, o custo efetivo total, como funciona o empréstimo”, destacou o executivo.

“O objetivo é deixar de ser um banco digital de milhares para milhões de clientes”, completou.

Experiência do cliente

Já Lucas Brero, Digital Banking Expert na Technisys, ressaltou a importância de olhar para a experiência do cliente e redefini-la. 

“Em digital, sempre buscamos melhorar a experiência do cliente, ter o processo do onboarding com segurança, com tecnologia antifraude. Você digita poucos dados, com uma fricção bastante baixa”, disse Lucas, que acrescentou sobre chatbot.

“O chatbot deixa o cliente irritado, porque traz outra resposta. Então, estamos mesclando para servir o cliente da melhor forma., atendendo à demanda e dando um toque humano em vários momentos. Queremos dar senso de proximidade com agentes comunitários humano para ajudar”, finalizou.

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